Você sabe o que é um buraco negro?

O buraco negro é um objeto que chama muito a atenção da comunidade científica. Esse é um tema cercado de mistério. Só para se ter uma ideia, a primeira imagem desse fenômeno foi feita apenas em 2019.

Por isso, muitas pessoas sequer sabem o que é isso e como ele se destaca dentro do universo. Então, se você se encaixa nesse grupo, esse texto vai te ajudar.

Aqui, nós vamos te deixar por dentro de tudo sobre os buracos negros.  Veja como eles se comportam, e, ao final da leitura, você vai perceber que esses objetos são de fato intrigantes. 

O que é um buraco negro?

A maioria das definições sobre o que é esse fenômeno envolve inúmeros conceitos de física. No entanto, vale a pena tentar outra abordagem. Logo, esse objeto é uma consequência direta de uma evolução estelar. 

Um buraco desses acontece quando uma estrela supermassiva morre. Então, no intuito de compreender mais esse elemento, é fundamental saber como ele é formado. Por isso, vamos pegar um exemplo prático. 

O sol já é uma estrela bem grande. Agora, imagine outra ainda maior do que essa. Assim, dentro dela, estão acontecendo inúmeras reações físicas e químicas. Desse modo, cria-se uma enorme pressão em direção ao seu exterior.

Isso ao mesmo tempo em que a força gravitacional exerce seu papel, puxando tudo para dentro. É como se tudo funcionasse por meio de uma espécie de combustível. Porém, uma hora isso vai acabando e apenas a gravidade fica no seu lugar trabalhando. 

Sendo assim, a estrela vai começando a se contrair. Dentro desse cenário, têm-se duas possibilidades. A primeira é que se ela conseguir se sustentar, tem-se a formação de uma “anã branca”. 

Já a segunda é uma alternativa um pouco mais complexa. Pode ser que a estrela possua uma massa maior que a do Sol.  Ainda, a sua força gravitacional pode ser forte o bastante para ela entrar em colapso. 

É nesse caso que se tem a formação de um buraco negro. A astrofísica Lia Medeiros traz uma definição bem interessante. 

De acordo com ela, o que caracteriza esse objeto é uma densidade e não sua massa. Logo, a pesquisadora diz que se quiséssemos transformar a Terra em algo do tipo, seria necessário espremer o planeta. Isso até que ela atingisse o tamanho de uma uva.

Como os buracos negros foram descobertos?

O primeiro a usar essa denominação foi o cientista John Wheeler em 1967. No entanto, os estudos relacionados a esse tema são resultados do trabalho em conjunto de diversos profissionais. 

Mesmo assim, John se destacou muito com suas teorias. Ainda na década de 50 – 60 ele já discutia sobre o colapso de estrelas. Então, no decorrer dos anos, todas as pesquisas tinham um ponto em comum. 

Elas batiam, assim, com a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Essa última afirma que corpos com massa muito grande geram uma espécie de deformação no espaço-tempo. 

Desde então, ela tem sido usada como aliada nos estudos de buracos negros. Infelizmente, não se pode pegar esse fenômeno e estudar em laboratório. 

O processo de análise, portanto, não é nada simples e é embasado em uma série de hipóteses e teorias. Porém, com o avanço da tecnologia, espera-se que essas pesquisas possam crescer ainda mais.

Buraco negro em meio ao espaço com nuvens cósmicas e estrelas ao redor formando um cenário galáctico
Nenhuma luz escapa de um buraco negro.

Eles são invisíveis?

Primeiro de tudo, você precisa saber que nenhuma luz pode escapar dos horizontes de um buraco negro. Entretanto, lembre-se de que esse objeto possui uma gravidade enorme. Por esse motivo, alguns materiais conseguem ficar muito próximos a ele. 

Logo, são esses últimos a forma de avaliação dos especialistas. Eles pegam esses elementos e colocam sob a lente de um telescópio. Assim, as matérias são aquecidas até milhões de graus. Isso à medida que são puxadas pelo buraco. 

Essa ação gera uma espécie de brilho em raios X. Então, é por isso que os cientistas conseguem enxergar esse fenômeno tão complexo. Além disso, a gravidade desses buracos distorce o espaço. 

Sendo assim, é possível enxergar a influência de uma atração invisível sobre as estrelas e outros elementos. Há pouco tempo, alguns pesquisadores foram capazes de “ouvir” o eco resultante da colisão entre dois buracos negros. 

Isso formou um novo objeto e produziu ondas gravitacionais. O mais interessante é que a teoria de Einstein citada acima, também previu isso. Em resumo, ainda que sejam invisíveis, é possível rastrear esse fenômeno.

Quanto tempo leva para formar um buraco negro?

Imagine um buraco negro com uma massa dezenas de vezes maior que o sol. Esse objeto pode se formar em apenas alguns segundos. Isso em decorrência do colapso de uma estrela massiva. Geralmente, esses buracos costumam ser pequenos. 

Também, eles podem ser consequência da fusão de duas estrelas de nêutrons. Ainda, uma estrela assim pode se fundir com outro buraco gerando um objeto maior. Tudo em questão de segundos. 

Agora, quando se fala de buracos gigantes encontrados nos centros das galáxias, a lógica é diferente. Então, eles são chamados de supermassivos e podem levar até um bilhão de anos para atingir seu tamanho. No entanto, ainda não se sabe exatamente quanto tempo ele demora para se formar.

O que aconteceria se você fosse engolido por um buraco negro?

A Teoria da Relatividade rege grande parte das teorias sobre o assunto. Caso alguém caísse em um buraco desses, iria viver uma realidade paralela. Isso porque a sua percepção sobre espaço e tempo iria mudar completamente. Porém, não acaba por aí.

Lembre-se novamente de que a gravidade nesse lugar é imensa. Dessa forma, o corpo do indivíduo seria comprimido horizontalmente. 

Ao mesmo tempo, isso aconteceria na vertical. Em resumo, a pessoa ficaria com o formato de um macarrão. Portanto, o nome científico para isso é espaguetificação.

Agora, esse é um assunto que traz muitas divergências. Então, em 2012 um grupo de físicos publicou um estudo sobre isso. Segundo eles, quem caísse em um buraco negro iria encontrar uma espécie de muralha de fogo. 

Isso aconteceria antes de se transformar em espaguete. Hoje, isso é chamado de paradoxo da muralha de fogo. Além disso, o mais interessante é que ele implica algo muito importante. Caso ela esteja correta, a teoria da relatividade e da mecânica quântica podem estar erradas.

Buraco negro com intensa energia luminosa ao redor formando um halo brilhante no espaço
Esse é um fenômeno que ainda desafia os cientistas.

Buracos negros e o planeta: existe alguma influência?

Quando uma estrela explode, acontece uma série de eventos. Um dos principais é a distribuição de elementos essenciais para a vida. São eles carbono, oxigênio e nitrogênio. Outras fusões também liberam essas substâncias. 

Alguns exemplos são a colisão entre estrelas de nêutrons e o encontro de dois buracos negros. Então, de certa forma, a existência na Terra só é possível graças a essas explosões. 

Porém, quando se trata da relação entre buracos supermassivos e as galáxias, não se sabe muito sobre isso. Mesmo assim, existem algumas teorias que afirmam que um buraco com grande magnitude ajudou na formação da Via Láctea.

O sol pode se transformar em um buraco negro?

Não, isso jamais irá acontecer. O motivo é que o sol não é massivo o bastante para se tornar um buraco negro. Acredita-se que essa estrela vai se tornar o que se chama de anã branca, um remanescente denso.

Agora imagine que uma anomalia acontece e o sol se torna um buraco desse tipo. Então, nesse caso, as órbitas dos planetas não seriam afetadas. Isso porque a sua influência gravitacional em todo o sistema solar continuaria a mesma.

Dessa forma, a Terra iria orbitar em torno desse buraco e não seria atraída por ele. Porém, esse cenário traria um problema insuperável. Não haveria luz solar no planeta. Assim, as consequências para a vida seriam simplesmente desastrosas.

Por fim, ainda existem muitas perguntas que precisam ser respondidas sobre o assunto. Espera-se que daqui a uns anos seja possível conhecer mais sobre esse fenômeno tão grandioso.